terça-feira, 23 de setembro de 2008

Assoreamento atinge também Barão Geraldo

Expansão urbana já causa destruição no distrito e uma das áreas afetadas é o Recanto Yara
Correio Popular - 23 de setembro de 2008
Patrícia Azevedo - DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
patricia.azevedo@rac.com.br

O assoreamento de lagos, nascentes e cursos d'água, bem como a degradação de matas em decorrência do crescimento urbano desordenado não são problemas exclusivos em Sousas — no último domingo, o Correio mostrou os danos no distrito. Bairros de Barão Geraldo também sofrem com a destruição da natureza. Segundo a Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp), o assoreamento de corpos de água é recorrente na região de Campinas. "Esse é um dos grandes problemas ambientais provocados pela ocupação urbana", reforça Márcia Correa.

A ambientalista afirma que os locais assoreados são de extrema importância para o abastecimento de água da Região Metropolitana de Campinas (RMC). E alerta que a permanência dessa situação pode, a longo prazo, provocar o desabastecimento de água regional.

Rodeado por condomínios fechados, o Recanto Yara sucumbe à intervenção do homem. Quem passa pela Avenida Santa Isabel, em Barão Geraldo, não imagina que a poucos metros dali pode ser encontrado um pequeno pedaço de mata. O local foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) na década de 90. Segundo a professora de biologia Yuko Okamura, que também integra a Proesp, a área onde hoje se vê um terreno seco já foi uma lagoa. "É difícil de acreditar, mas as pessoas pescavam aqui. Tinha até jacaré", afirma.

Yuko comenta que a fauna que vivia na lagoa, como peixes e algumas espécies de anfíbios, já não é mais encontrada. "Diminuiu bastante também a quantidade de aves como garças e jaçanãs", diz.

Um parecer assinado pela pesquisadora Dionete Aparecida Santin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alerta para a necessidade de preservação e recuperação da mata brejosa do Recanto Yara. "É um ecossistema representado por poucas e pequenas manchas isoladas e está totalmente ameaçado de extinção. Sua vegetação é ainda pouco conhecida e o ritmo da destruição da flora local é tão veloz que o primeiro fragmento de mata brejosa estudado em Campinas já foi extinto", informa o relatório. O documento ressalta ainda que a área é importante porque abriga várias nascentes cujas águas vão alimentar os grandes lagos da Fazenda Rio das Pedras. De acordo com o estudo, foram coletadas e identificadas pelo menos três espécies ainda não descritas para a ciência, sendo uma de borboleta e duas de anfíbios.

Segundo a Proesp, a Prefeitura de Campinas precisa investir imediatamente na recuperação da área. "Se não for feito o manejo, pode desaparecer", lamenta Yuko.

Outro ponto que está à beira da extinção é a Área de Preservação Permanente (APP) da mata da Vila Holândia, situada às margens da Estrada da Rhodia, perto de Paulínia. A presidente da Proesp explica que o local é composto por uma mistura de cerrado com Mata Atlântica. Por lá existem várias nascentes e passa o Ribeirão Anhumas. "O Ribeirão Anhumas está sendo assoreado naquela região", diz Márcia. O problema, segundo a ambientalista, é que a área não tem proprietário e a falta de cuidados se traduz em desrespeito à natureza. "Há muito despejo de lixo no local."

A Polícia Ambiental, que fiscaliza as APPs e áreas de preservação ambiental (APA), foi novamente procurada para falar sobre a degradação dessas áreas, mas não atendeu a solicitação da reportagem.

A FRASE

"Se nada for feito, logo não haverá um trecho de mata e isso não pode ser recuperado."

MÁRCIA CORREA
Ambientalista

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